Há uma pergunta recorrente feita pela maioria dos seres humanos. Essa pergunta, atemporal da sua maneira, é tão longínqua quanto o início da humanidade; possui as suas variações, os seus motivos e, principalmente, a sua lógica; mas, em suma, é sempre a mesma coisa, indiferentemente de sua religião, cultura, crenças, conceitos ou personalidade. É a mesma coisa. O que é, então?
Qual é a minha importância para o mundo? Ou a famosa variação: qual é o meu objetivo de vida?
Bem, respondo-lhe então: nenhum(a). A única importância que deve ser frisada é se isso ou aquilo é importante, para, adivinhe, você. Sim, aqui estamos na velha filosofia egoísta. A vida é o presente. Não há futuro, nem passado, há memórias e previsões. Você, ou eu, ou mesmo aquele indivíduo admirado pela massa, num resumo bem banal, não significará nada para o mundo, pois ele morrerá e levará consigo todos os seus feitos. A longo prazo, não existirá legado e nem mesmo alguém para se lembrar daquilo que um dia orgulhosamente fora feito. Por quê? Porque a morte é o único objetivo da vida.
Então, eu prefiro a variação: qual é o meu objetivo de vida? Assim as coisas se tornam mais práticas, não concorda? Você passa do pensamento puro de altruísmo e foca no que é essencial para a sua jornada: você mesmo. Até porque — e isso podemos ver no mais profundo da psique humana —, mesmo sendo altruístas de vez em quando, não fazemos isso com o objetivo de nos sentirmos melhor e, posteriormente, vermos que esse ato bom pode reduzir o sentimento de vazio? Afinal, cada ser humano possui o seu próprio buraco. Talvez para amenizar a culpa ou por obrigação, ou, talvez, para soterrar a crueldade aleatória da existência. Tudo em prol da consciência limpa. E só. Que se dane o restante das pessoas. Ajudou? Esse é o importante! Não importa se, mais tarde, as coisas apenas desenrolarão em desgraças.
Não há altruísmo verdadeiro. Altruísmo é um bode expiatório para o egoísmo.
Mas o quão babaca estaria sendo eu se afirmasse que este texto é uma verdade universal? Pois graças à infinidade de mentes pensantes, os conhecidos sete bilhões de pessoas, ou pelo menos a maioria capaz de pensar e raciocinar ligeiramente bem, não há verdade universal. Cada um vive com sua própria verdade, mesmo o universo, num mundo feito de ilusões.
Entretanto não posso deixar de afirmar que toda a existência é egoísta. E se toda existência é egoísta, não há respostas para a pergunta: qual é a minha importância para o mundo?
Por que eu afirmo isso? Ei, a vida é basicamente sobrevivência, certo? Tudo no universo luta constantemente para sobreviver. Até mesmo bactérias, microscópicas, menor do que você consegue imaginar, estão por aí, através de seu corpo, de sua casa, lutando para sobreviverem. Em boa parte da história, a sobrevivência pode não parecer egoísta, já que as suas grandes vitórias são conquistadas graças ao coletivo, ao conjunto de inúmeros seres visando a segurança de suas vidas e lutando por elas. É aí que está a chave para a resposta. Visto que o coletivo, como uma estratégia de combate, é usado para — adivinhe de novo — manter a sua vida com mais segurança e efetividade. Claro, há idiotas que lutam — ou lutavam — quase que integralmente por outros, mas estes basicamente não estão vivendo, apenas flutuando e respirando. E mesmo eles não quererão morrer no derradeiro dia.
Como a morte é assustadora e implacável, ela obriga a todos os seres darem um jeito. Ah! Existem os suicídios. Pretensão minha dizer que um suicida é egoísta? Plena consciência tenho da existência de problema psicológicos, como depressão, e de fatores psíquicos que levam uma pessoa a encerrar o seu sofrimento definitivamente. E também tenho conhecimento dos fatores externos, da pressão extrema que o cotidiano e as causalidades criam a um ser humano, levando ao ato de bang!: estourar os miolos. Porém o suicídio ainda é um meio para se livrar da dor. Que dor? As dos outros seres? Não, a sua. Embora existam suicídios coletivos, um suicídio é sempre feito por si mesmo, senão seria homicídio; então é egoísta. E covarde — embora eu admire que é uma solução eficaz. Você quer se livrar de algo que te incomoda, então você se mata; senão mataria aquilo que o incomoda. Egoísmo, mais uma vez. Neste caso, esqueça o certo ou o errado, ou o bom e o ruim. Para o mundo, tudo é apenas uma cadeia de eventos consequentes. Trágicos ou felizes, depende da ótica.
Enfim, enrolar é uma benção, mas me propus a responder a variação: qual é o meu objetivo de vida?; e responderei. A princípio de tudo, o seu objetivo de vida é impossível de ser determinado por mim, é algo que você decide exclusivamente por si mesmo. Todavia, num sentido vago e mais generalizado, o seu objetivo de vida é simplesmente o prazer. Não há surpresas. Eu falo de todas as variações do prazer, não apenas o sexual.
"Foda-se" é o certo a se dizer; estamos cada vez mais perto de conhecer o fim, portanto não há, e não deve ter, limites.
"Ridículo!", você exclama, "A sociedade naturalmente me impõe limites! E a você também! Como poderíamos fazer o que quisermos?"
Existem leis. Universais; existenciais; penais. Existem leis para tudo. Ter leis já é uma lei para a existência, e, naturalmente, é impossível quebrar algumas delas, dado que, em sua ausência, o caos enraizado em todos nós ficaria extremamente visível. Um dos pilares para evitar o descontrole é a justamente a ética e a moral. Não distorcidas. E digo isso porque se há um padrão de ética e moral na maioria dos seres humanos, qualquer dessemelhança já é distorção. Isto também é uma lei. Ou uma ilusão absoluta.
Então não há, e não deve ter, limites para a expansão de sua mente. Ela, provavelmente, te proporcionará coisas fantásticas, como exercer a profissão que você sempre quis ou satisfazer o seu maior desejo de ação.
A parte interessante é visualizar a sua estrada sem começo. Esse, um espaço individual, é complexo. Você olha para a frente e apenas vê pedaços da estrada, pedaços distintos e de inúmeras formas, flutuando linearmente para o que parece ser a frente. Mas, quando você olha para trás, não há nada. Não há começo ou mesmo fragmentos de um início, não porque você nunca teve uma origem, mas porque o começo sempre se dissolvia a cada passo que dava. Como a areia de uma ampulheta. E nesse lugar, há apenas uma área sólida e firme. Onde você está. E onde você está é permitido que você faça o que quiser. Pois este é o seu objetivo de vida.

Nenhum comentário:
Postar um comentário